Trocar a água da piscina evita as algas?
Na maioria dos casos, não. As algas se multiplicam quando a desinfecção não consegue controlar a água. Se você troca tudo, a água nova entra nas mesmas condições, e as algas que sobraram nas paredes, no fundo, no filtro e nas tubulações voltam a crescer. Por isso, a recuperação costuma ser feita tratando a água que já está na piscina, com ajuste químico, choque, escovação e filtragem.

Por que a água fica verde
A cor verde costuma vir de microalgas que crescem em água com desinfecção insuficiente. Um fator frequente é o pH fora da faixa ideal. Com pH alto, o cloro perde boa parte da capacidade de desinfecção, mesmo que o teste ainda mostre cloro presente. Antes de adicionar qualquer produto, meça pH e cloro. Colocar produto sem medir costuma piorar o quadro e encarecer o tratamento.
Os valores de referência variam conforme o município. O decreto de Palmas (TO) fixa pH entre 7,2 e 7,8 e cloro residual livre entre 0,8 e 3,0 mg/L para piscinas em funcionamento. A orientação da Covisa de São Paulo cita pH de 6,7 a 7,9, com a mesma faixa de cloro. Esses textos são municipais e tratam de piscinas em uso, então use-os como referência e confirme a norma da sua cidade. O manual do seu kit de teste também deve indicar os valores adequados.
Quando a troca total ou parcial pode se justificar
A troca só faz sentido em situações específicas, e sempre depois de um diagnóstico. Os casos mais claros são estes:
- Estabilizante de cloro acumulado: quando o ácido cianúrico ultrapassa o limite indicado pelo fabricante do produto, o cloro perde eficácia e a forma prática de baixar o nível é diluir a água com água nova. Nesse caso, a troca deve ser parcial e controlada.
- Sólidos dissolvidos em excesso: quando a água está tão carregada de sais e minerais que não se estabiliza com tratamento, o ajuste é feito com a orientação de um profissional.
- Contaminação grave: lama densa que não pode ser aspirada ou sinais de contaminação por esgoto exigem avaliação técnica antes de qualquer intervenção.
Fora desses casos, a troca total é desnecessária e pode criar problemas maiores, como o descrito a seguir.
Os riscos de esvaziar uma piscina enterrada
Esvaziar totalmente piscinas de vinil ou de fibra de vidro é um dos erros mais perigosos. Com o tanque vazio, a pressão da água do lençol freático no solo pode empurrar a estrutura para cima. O resultado pode ser deformação das paredes, descolamento do revestimento ou danos nas juntas. O risco é maior em terrenos com lençol alto, e pode aparecer mesmo depois de anos sem problemas, se o solo ou a drenagem do terreno mudarem.
Se for preciso baixar o nível, faça-o apenas dentro do limite indicado pelo fabricante e nunca deixe a cuba completamente vazia sem acompanhamento técnico. Piscinas de alvenaria têm outro comportamento, mas a orientação do projetista ou do instalador continua sendo a referência.

Como recuperar a água sem esvaziar
O tratamento segue uma ordem que evita desperdício de produto:
- Escove as superfícies: remova as algas das paredes, do fundo e da linha d’água. Se ficarem no lugar, elas recontaminam a água logo após o tratamento.
- Ajuste o pH antes do cloro: sem o pH na faixa, o choque tem pouco efeito. Corrija-o com o produto indicado e espere a leitura estabilizar.
- Aplique o choque conforme o manual: a dose depende do volume de água e do produto. Não calcule por estimativa.
- Mantenha a filtragem contínua: durante o tratamento, deixe a bomba ligada pelo tempo indicado no manual. Interromper o ciclo atrasa a recuperação.
- Decante e aspire com cuidado: as algas mortas vão para o fundo. Ao aspirar, coloque a válvula do filtro na posição de descarte, para que os resíduos saiam direto para o esgoto. Assim você evita entupir a areia do filtro ou devolver algas à piscina.
- Faça a retrolavagem quando indicado: limpe o filtro depois do tratamento, conforme o manual.
Segurança é parte do processo. Nunca misture produtos químicos diferentes nem os armazene no mesmo recipiente. Use luvas e óculos ao manusear o choque, guarde os produtos fora do alcance de crianças e nunca despeje o produto concentrado diretamente sobre a água com banhistas. Não reabra a piscina enquanto a água estiver turva ou verde, e só volte a usá-la quando o teste mostrar cloro livre de volta à faixa indicada acima e pH dentro da faixa de referência.
Cuidados quando a água vem de poço
A água de poço costuma conter minerais dissolvidos, como ferro e manganês. Algicidas à base de cobre podem reagir com esses minerais, manchar revestimentos e deixar os cabelos esverdeados. Antes de usar qualquer algicida, leia o manual e confirme se ele é compatível com água de poço. Em muitos casos, o mais seguro é usar um sequestrante de metais e optar por um algicida sem cobre. Também vale testar a água antes do tratamento, porque uma coloração esverdeada pode ser química, e não biológica, e nesse caso o choque sozinho não resolve.
Quando chamar um profissional
Procure um técnico se a água continuar turva ou verde depois de dois tratamentos seguidos, se você estiver considerando uma troca parcial ou total, se houver suspeita de contaminação ou se a piscina for de vinil ou fibra e você precisar baixar o nível. Um diagnóstico com medições completas evita gastos desnecessários e reduz o risco de danos à estrutura.
Perguntas frequentes
Posso usar a piscina enquanto a água ainda está verde?
Não. Água verde indica desinfecção insuficiente e pode ser imprópria para banho. Aguarde a água clarear e o teste confirmar pH e cloro dentro das faixas de referência.
Algicida substitui o choque de cloro?
Não necessariamente. Quando as algas já se instalaram, o algicida não substitui o tratamento de choque nem a escovação. Ele funciona melhor como complemento, depois da recuperação, e sempre seguindo o manual.
Quanto tempo a piscina leva para clarear depois do tratamento?
Depende do volume de água, da filtragem e do estado inicial da piscina. Siga o manual, mantenha a filtragem ligada e refaça os testes. Se a água não clarear após alguns dias de tratamento correto, procure um profissional.
Quando a água de uma piscina precisa de análise profissional?
Quando a turvação persiste apesar de pH e cloro dentro da faixa, quando há suspeita de contaminação ou quando o estabilizante parece acumulado. Nesses casos, uma análise completa indica se a solução é ajustar a química ou fazer uma diluição controlada.